DRE da marmoraria no HEROGRAN mostrando despesas fixas e resultado do mês
Financeiro

Pró-labore na Marmoraria: Pare de Misturar o Seu Dinheiro com o da Empresa

19 de outubro de 20266 min de leitura

Pró-labore na Marmoraria: Pare de Misturar o Seu Dinheiro com o da Empresa

Na maioria das marmorarias, o dono não tem salário. Ele tira quando precisa. O mercado sai do cartão da empresa, a escola dos filhos sai da conta da marmoraria, e no mês que a venda foi boa ele tira mais.

O problema não é o dono ganhar dinheiro. É que, misturando as contas, ninguém sabe se a marmoraria dá lucro. E quando o caixa aperta, o dono não sabe se o problema é a empresa ou a retirada.

DRE da marmoraria no HEROGRAN

Pró-labore e distribuição de lucro são coisas diferentes

  • Pró-labore é o salário do dono pelo trabalho que ele faz: vender, gerir a produção, atender cliente, ir à obra. É um valor fixo, pago todo mês, e entra como custo fixo da marmoraria.
  • Distribuição de lucro é a parte do resultado que o dono retira depois que o mês fechou e o lucro foi apurado. Varia conforme o resultado.

Misturar as duas coisas é o que faz o dono tirar "lucro" num mês que, na verdade, deu prejuízo.

Por que o pró-labore precisa estar no custo

Se o dono trabalha 50 horas por semana na marmoraria e não tem salário definido, o custo real da empresa está subestimado. O preço do m² é calculado sem esse custo, e a marmoraria parece mais lucrativa do que é.

Um teste simples: se você precisasse contratar alguém para fazer o que você faz, quanto pagaria? Esse é o ponto de partida do seu pró-labore.

Como definir o valor

  1. Some as suas despesas pessoais fixas do mês: moradia, alimentação, escola, saúde, transporte.
  2. Compare com o que pagaria a um gerente para fazer o seu trabalho.
  3. Confira se a marmoraria aguenta. O pró-labore entra nas despesas fixas e aumenta o ponto de equilíbrio. Se a empresa não consegue pagar, o problema é de preço ou de volume, e é melhor descobrir agora.
  4. Converse com o seu contador sobre a forma de pagamento e os encargos. A tributação do pró-labore e da distribuição de lucros é diferente e muda conforme o regime da empresa.

Separando as contas na prática

  • Uma conta bancária só para a marmoraria. Toda entrada de cliente cai nela, toda conta da empresa sai dela.
  • Um cartão de crédito só para a empresa. Nada pessoal nele.
  • Pró-labore em data fixa, transferido da conta da empresa para a sua conta pessoal.
  • Nenhuma conta pessoal paga pela empresa. Se aconteceu, registre como retirada.

E a distribuição de lucro?

Depois que o mês fecha e a DRE mostra o resultado, você decide quanto distribuir. Uma regra prudente:

  • Primeiro, recomponha o capital de giro. Se o caixa terminou o mês abaixo do necessário, o lucro fica na empresa.
  • Depois, separe uma reserva para manutenção de máquinas e meses fracos.
  • O que sobra pode ser distribuído.

Assim, o lucro distribuído é lucro de verdade, e não o dinheiro que deveria pagar a chapa da semana que vem.

Os sinais de que as contas estão misturadas

  • Você não sabe dizer quanto ganhou no mês passado.
  • O caixa da empresa paga despesas da sua casa.
  • Você tira mais nos meses bons e "aperta" nos meses fracos, sem regra.
  • O contador pede para separar as contas e você sempre deixa para depois.

Com o pró-labore no lugar, os números passam a dizer a verdade

Quando o pró-labore entra como despesa fixa, a DRE passa a mostrar o resultado real da marmoraria. No HEROGRAN, ele pode ser lançado como conta a pagar na categoria de despesas fixas, aparece na DRE junto com aluguel e folha, e entra no fluxo de caixa na data do pagamento. O resultado que sobra no fim do mês é o que pode, de fato, ser distribuído.

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